Dizer que as afirmações da ciência não são a verdade mas a uma aproximação à verdade corresponde a atribuir o mesmo estatuto da ciência a outras actividades intelectuais não científicas tais como religiões, crenças, ideologias etc.

Uma afirmação é verdadeira se está de acordo com os factos que descreve, caso contrário é falsa, não há aproximações.

O facto de o mundo poder ser descrito, bem descrito, por uma certa teoria científica nada diz acerca do mundo ou como ele é realmente, mas diz-nos no entanto alguma coisa sobre ele, i.e., que pode ser bem descrito por essa teoria científica e não outra.

Atribuir à ciência o mero estatuto de uma actividade de produção de afirmações aproximadas à verdade legitima outro tipo de afirmações que, com semelhantes argumentos interiores a elas, podem ser tomadas como afirmações verdadeiras, aproximadas ou não, ou mesmo considerar-se possuir-se a totalidade da verdade num sistema formal imaginado.

Na base da toda a visão moderna do mundo reside a ilusão de que as chamadas de leis da natureza são explicações dos fenómenos naturais. Assim ficamos com a ideia de que as leis da natureza são como coisas inatacáveis, da mesma forma o faziam os antigos com Deus e o Destino. E ambos estão certos e errados. Mas os antigos eram mais claros, reconheciam um fim claro, enquanto o sistema moderno torna-a como se tudo estivesse explicado.

Created: 22-01-2017 [22:03]

Last updated: 24-03-2026 [22:44]


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Charters, T., "Uma aproximação ou conveniência": https://nexp.pt/aproxverdade.html (24-03-2026 [22:44])


(cc-by-sa) Tiago Charters - tiagocharters@nexp.pt