Dose diária recomendada

Imagem: Knuth's Downloadable Graphics page.

Notas em cerca de 1600 caracteres. Coisas poucas que entretêm e espalham incomodações a quem delas precisar e sempre em nome pessoal porque é sempre bom dizer ao que vamos e quem somos para que não fique nada por dizer.

As doses antigas estão arquivadas de uma forma não linear. O RSS está aqui.

RSS


David Graeber's political anthropology
2021/02/12-09:28:14

Graeber, David. 2001. ​Toward an anthropological theory of value: the false coin of our own dreams.​ New York, Etats-Unis d’Amérique: Palgrave.

———. 2004. ​Fragments of an anarchist anthropology​. Chicago, Etats-Unis d’Amérique: Prickly paradigm press.

———. 2007. ​Possibilities: essays on hierarchy, rebellion, and desire​. Oakland, Etats-Unis d’Amérique, AK Press.

———. 2007. ​Lost people: magic and the legacy of slavery in Madagascar.​ Bloomington, Etats-Unis d’Amérique: Indiana University Press.

———. 2011. ​Debt: the first 5,000 years​. Brooklyn, N.Y: Melville House.

———. 2015. ​The utopia of rules: on technology, stupidity, and the secret joys of bureaucracy​. Brooklyn, Etats-Unis d’Amérique: Melville House.

Graeber, David, et Marshall David Sahlins. 2017. ​On kings​. Chicago (Ill.), Etats-Unis d’Amérique: Hau Books.


Opininadeiros
2021/02/08-17:44:18

Os colunistas de opinião são os moralistas do nosso tempo. São o equivalente secular aos pregadores ou padres e quando falam sobre trabalho não refletem mais do que a tradição teológica de que o trabalho liberta, que a valorização do trabalho é um dever sagrado e veem em cada pessoa um pecador preguiçoso e que foge, malandro, a qualquer obrigação se puder.

Mas não são muitos dos conceitos económicos de origem religiosa?

Se ao trabalho de um qualquer trabalhador esforçado é digno o elogio, independentemente do trabalho que realiza, então não pode ser ignorado. Também quem o evita não é desprezível e deve de igual maneira ser levado a sério na sua posição.

Se aceitamos o argumento de alguém que defende políticas de emprego ou alguma política que cria empregos, é pelo menos razoável que se aceite a resposta de que nem todos os empregos merecem relevância ou são úteis.

Pois nem mesmo as provocações de um lunático devem ser desconsideradas por um só golpe mesmo que sejam verdadeiras e de acordo com os factos que a realidade mostra.


Indigenous Planning
2021/01/30-19:42:25

"In this Interface, we bring together that discussion to think more deeply about what it means to practice the principles of Indigenous planning and the decolonising agenda it suggests. Contributions from both Indigenous and non-Indigenous people follow, bringing perspectives principally from the settler-colonial states of Aotearoa-New Zealand, Australia, Canada and the USA. The contributions cover the ethics, pedagogy and principles of Indigenous planning, the links to health, community development, housing and design, and the theoretical and pedagogical implications of Indigenous planning for mainstream Western planning."


Cadernos Políticos de Educação Popular
2021/01/22-10:20:24

Autores: Harnecker Marta, Gabriela Uribe

PDF: https://nexp.pt/CadernoEducaPop/02-ExploracaoCapitalista-GEP.pdf


Pelo centenário do nascimento de Murray Bookchin
2021/01/14-14:32:12

Nota prévia

Faz hoje 100 anos da data nascimento de Murray Bookchin. Anarquista americano pioneiro do movimento ecologista e eco-socialista, inspirador da democracia directa socialista libertária em Rojava.

Neste texto, publicado na revista Libertária, faltou, por falta de espaço, a referência à emulação pelos pitagóricos de um touro por descoberta dos números irracionais, o eterno retorno de Nietzsche e ainda o teorema de Liouville essencial para a descrição de sistemas da física chamados de sistemas Hamiltoneanos. Fica para trabalho de casa numa versão mais completa do texto.


A dissolução da autoridade

Hoje o nosso horizonte mostra-nos duas perspectivas em conflito, a primeira de um mundo harmonizado com a sensibilidade ecológica baseada no compromisso com as comunidades, ajuda mútua e a tecnologia e a segunda a antropogénese do aquecimento global, o ressurgimento dos movimentos extrema direita e o espectro do holocausto e a ameaça nuclear. Parece que para termos futuro o nosso mundo ou sofrerá uma mudança revolucionária radical tão profunda de tal forma que a humanidade se transformará completamente nas suas relações sociais e na própria conceção da vida ou sofrerá um Apocalipse que terminará com o lugar permanente da humanidade no planeta.

Bookchin fala-nos da proposta desse futuro no livro “The Ecology of Freedom: The Emergence and Dissolution of Hierarchy”, na mitologia da desintegração e na dissolução da autoridade. As linhas que se seguem vão também por esse caminho.

A mitologia nórdica conta-nos uma história de um tempo em que a todos os seres estava atribuı́do um lugar terreno: aos deuses um domı́nio celeste, Asgard, aos homens a terra, Midgard, por baixo ficava Niffleheim, o domı́nio escuro e gelado dos gigantes, anões e mortos. Todos estes domı́nios estavam ligados por um enorme freixo, a Árvore do Mundo. Tinha ramos que chegavam ao céu e raı́zes que alcançavam as profundezas da terra. Apesar de constantemente mutilada por animais permanecia sempre verde, renovada por uma fonte mágica que continuamente lhe dava vida.

Os deuses que formaram este mundo presidiam na realidade a um precário estado de tranquilidade. Baniram os seus inimigos, os gigantes, para a terra do gelo, Fenris o lobo foi preso e a grande serpente de Midgard afastada e mantida a uma distância segura. Apesar de todos os perigos ocultos prevalecia uma paz geral e havia tudo em abundância, tanto para deuses, para homens e para todas as coisas vivas.

Odin, o deus da sabedoria, reinava sobre todas as divindades, o mais forte e o mais sábio, supervisionava batalhas humanas e escolhia o mais bravo dos perdedores para festejar consigo na sua grande fortaleza, Valhalla. Thor, filho de Odin, era não só um guerreiro poderoso, protetor de Asgard contra os gigantes inquietos, mas também era uma divindade defensora da ordem, fazendo cumprir a fé entre os homens e os tratados. Havia deusas e deuses com fartura, da fertilidade, do amor, da lei, do mar e dos barcos e uma multiplicidade de espı́ritos animistas que habitavam todas as coisas e todos os seres da terra.

Mas a ordem do mundo começou a partir-se quando os deuses, desejosos de riqueza, torturaram a bruxa de Gullveig, a fazedora de ouro, e obrigaram-na a revelar os seus segredos. E a discórdia desenfreada entre deuses e homens começou. Os deuses quebraram os seus juramentos; a corrupção, a traição, a rivalidade e inveja dominaram o mundo. Com a quebra da unidade primordial, os dias de Asgard e Midgard estavam contados. A violação inexorável da ordem do mundo levava a Ragnarok – a morte dos deuses sob Valhalla. Os deuses caíram numa batalha terrı́vel com os gigantes, o lobo Fenris e a serpente de Midgard. Com a destruição de todos os combatentes a humanidade pereceria também e nada sobraria para além das pedras, oceanos transbordantes num vazio frio e escuro. Tendo pois o mundo se desintegrado no seu princípio, ressurgiria renovado, purgado dos seus males anteriores e da corrupção que o destruiu. O novo mundo que emergiria do vazio não sofreria outro fim catastrófico porque a segunda geração de deuses e deusas aprenderiam dos erros dos seus antecedentes.

O profeta que nos conta a história diz-nos que a humanidade daqui para a frente viveria em alegria para sempre.

Nesta cosmografia parece estar o tema habitual do eterno retorno, uma sensação que o tempo anda à roda e se repete perpetuamente em ciclos de nascimento, crescimento, morte e renascimento. O que a lenda explora é uma área muito pouco explorada da mitologia, a mitologia da desintegração.

O cristianismo selou definitivamente o conceito de tempo histórico linear e unidimensional, numa orientação irreversı́vel e um fim tendencial pré-determinado, a criação ab initiio e a incarnação como explicação única total e a parúsia do messias no fim dos tempos, com ascensão dos escolhidos e a danação dos restantes. Mais ou menos desfigurado mas mantendo a estrutura inicial este cenário temporal linear haveria de ressurgir em ideologias afirmando a unidirecionalidade do progresso, das luzes, dos ventos e do fim da história, mas a lista está longe de ser completa, há mais exemplos. Não podemos afirmar a existência de um limite no fim na história da humanidade, um absoluto hegeliano ou um comunismo marxista e nem a confiança no progresso inevitável no compromisso do iluminismo dos avanços tecnológicos.

O que nos assombra nestes mitos de desintegração não são as histórias que relatam mas as profecias que fazem. Tal como os Nórdicos, ou os medievais, sentimos que mundo está também a partir-se, institucionalmente, culturalmente e fisicamente. Se estamos perante uma nova era paradisı́aca ou uma catástrofe ainda não é claro, acho que nunca será, mas é difı́cil acreditar num compromisso entre o passado e o futuro neste presente ambı́guo.

Para obter a sabedoria Odin bebe da fonte mágica que alimenta a Árvore do Mundo. Em troca tem que perder um olho. O simbolismo aqui é claro: Odin tem de pagar um preço, assumir uma penalização, para adquirir o conhecimento que lhe dá o controlo do mundo natural e que viola a prı́stina harmonia natural. Mas a sua “sabedoria” é de um homem de um olho só. Só vê um lado.

Renúncia à honestidade da perceção em troca da exactidão, predição e acima de tudo manipulação; tornar-se num certo sentido no usual do termo “ciência”. Esta ciência que hoje vigora é a visão de um só lado, de um deus de-um-só-olho, cuja vantagem fundamenta a dominação e o antagonismo e não a co-igualidade e a harmonia. Na lenda nórdica a “sabedoria” levou ao Ragnarok, à queda dos deuses e à destruição do mundo tribal. Nos nossos dias a sabedoria de um só olho levou-nos à catástrofe ecológica e à possibilidade concreta da extinção da humanidade. Neste percurso de-um-só-olho conseguimos obter mais liberdade do que os nossos antepassados: temos base material alargada para mais tempo livre, fruição, segurança e potencial para ainda mais liberdade em ligação com a natureza.

Talvez o grande projecto do nosso tempo seja o de abrir o outro olho: ver tudo clara e completamente.

As chamas de Ragnarok purificaram o mundo nórdico. As chamas que ameaçam engolir o planeta deverão deixá-lo sem esperança e hostil à vida como uma testemunha morta de um fracasso cósmico.

Ficamos assim com duas alternativas. Podemos tentar acalmar o guerreiro Odin, pacificá-lo e à sua corte e talvez ventilar Valhalla com o sopro da razão e reflexão, tentar arranjar ou emendar os tratados esfarrapados que suportam precariamente o mundo e trabalhar com isto o melhor que consigamos. E depois esperar pelo nosso esforço que Odin se convença a largar a sua lança, a largar a sua armadura e que se preste à doce voz do entendimento e do discurso racional.

Ou podemos usar o nosso esforço para uma reviravolta radical: depor Odin cuja cegueira parcial é evidência de uma sociedade sem esperança e abandonar os mitos contratuais que falsamente harmonizam uma sociedade inerentemente hierarquizada e dividida e ficar assim com a responsabilidade de criar um novo mundo e uma nova sensibilidade baseada na reflexão e na ética da qual somos herdeiros de uma evolução em direção à consciência partilhada.

No entanto, não chega retirar a poesia de que a revolução no nosso tempo necessita do futuro e também não precisamos de abandonar nenhuma das teorias lineares anteriores que bem serviram a humanidade ou uma qualquer outra teoria de noção circular de causalidade que junta o inı́cio com o fim.

Temos apenas de esculpir a razão coletiva no exemplo, carregada de sensibilidade individual e socialmente emancipatória, seja ela linear ou circular.

Tiago Charters de Azevedo Lisboa, 10 de Maio de 2020


Rt: previsões para que te quero
2021/01/08-12:59:01

Os dados que nos chegam todos os dias reportados pela DGS não nos dão o verdadeiro estado de evolução de epidemia. Precisamos de dados mais robustos para que se possa avaliar a evolução do coronavirus em tempo real.

Há uma grandeza, um número, que nos diz a "taxa" à qual o vírus se transmite, R-zero (R0), o número básico de reprodução. Diz-nos qual o número de pessoas, em média, que uma pessoa infetada contaminará numa comunidade onde não existe imunidade. O valor de R0 pode variar de país para país, de região para região, devido a flutuações na distribuição de idades ou diferenças culturais de interação social.

A versão efetiva deste número, Rt, o número de reprodução num determinado dia t, é o valor atualizado da taxa de transmissão num dado momento. Varia consoante as medidas de controlo da epidemia, isolamento físico, quarentena, restrições de viagens e mobilidade, encerramento de escolas, uso de máscaras, etc, ...

Por isso é fácil perceber o quanto é necessário e relevante ter dados robustos, abertos, peer-reviewd e com metodologias bem estabelecidas, para que possamos tomar decisões racionalmente informadas. Devemos ser críticos relativamente aquilo que comentadores, órgãos de comunicação social e redes sociais nos alimentam todos os dias.

junk food também há junk information.

Precisamos assim de saber em cada dia qual é a real capacidade do vírus em se propagar e consequentemente perceber este número de reprodução efetivo Rt em cada contexto particular, seja de um país, região ou cidade.

Não só o levantamento das restrições a que voluntariamente nos temos submetido depende do conhecimento deste número como também a imposição de mais restrições depende dele. Precisamos de saber.

Se o valor deste número de reprodução efetivo depende das condições locais e culturais onde o vírus se propaga então segue que não há uma solução que dê para todos, o que funciona, digamos, na Suécia, não funcionará em Portugal através de um simples copy&paste. É fácil construir argumentos do tipo: "preferiria proteger a economia e assumir os riscos com a epidemia", "já estou a dar em doido não aguento mais 3 meses", "não vale a penas nos preocuparmos com a economia que ela recupera depois, depois de isto tudo passar e sobrevivermos como comunidade". O espectro de argumentos é grande mas não devemos deixar de formar e participar nesta discussão.

No entanto, em qualquer um dos cenários preferidos, há uma propriedade comum. O regresso à vida normalizada será concretizada por ciclos de abertura-fechamento1 até que se atinja a imunidade de grupo ou se descubra uma vacina.

Para isso precisamos de fazer umas contas e de saber como estimar Rt em cada dia. A figura seguinte mostra o número de reprodução efetivo para Portugal. Há várias maneiras/algoritmos de o calcular. O utilizado para a estimativa da figura foi o trabalho de Luís Bettencourt, Ruy Ribeiro2 que tive conhecimento no maravilhoso texto3 e código em Python de Kevin Systrom.

Não vou repetir as explicações técnicas do Systrom mas deixo aqui as sucessivas distribuições de Poisson usadas no cálculo Bayesiano das estimativas de Rt. Dava uma capa bem gira para um álbum de música ;) ou t-shirt.


Gráficos de Rt para vários países: https://www.nexp.pt/covid19RtWorld/

Dados: https://opendata.ecdc.europa.eu/covid19/casedistribution/csv


Rt para as diferentes regiões do país

Os dados para Portugal são da DAta science for social good PT - dssgpt: https://github.com/dssg-pt/covid19pt-data

P.S. A regra dos trapézias faz das suas no cálculo do HDI.

Duas notas

Deixo também o código em GNU/Octave para futuros divertimentos. Claro que existem soluções enlatadas que permitiriam calcular o Rt sem esforço e.g. o software de estatística R tem uma biblioteca que faz isso mesmo.

Mas qual é a graça de fazer isso. ;)

“Neo, sooner or later you’re going to realize, just as I did, that there’s a difference between knowing the path and walking the path.” - Morpheus

Outra nota (21/04/2020): O texto que estava aqui inicialmente incluía um código em GNU/Octave. Infelizmente tinha um gato ;) Colocarei o código correto nos próximos dias.

Foi só hoje de manhã, enquanto lavava os dentes, que descobri o "erro". Uma coisa coisa estúpida que têm todos os erros depois de descobertos. Fui buscar os valores para estimação ao CSV dos dados na coluna errada. Coisa positiva disto tudo: revirei o código todo do avesso. Até fui olhar para o código da distribuição de Poisson do Octave e que é opensource. Agradeço aos céticos o Twitter que insistentemente me recordavam que o cálculo estaria errado. Tinham razão! Obrigado.


Referências

1. Lockdown Can’t Last Forever. Here’s How to Lift It. April 6, (2020)

2. Luís M. A. Bettencourt, Ruy M. Ribeiro, Real Time Bayesian Estimation of the Epidemic Potential of Emerging Infectious Diseases (2008)

3. Estimating COVID-19's $R_t$ in Real-Time (2020)


Código em GNU/Octave

# Author: Tiago Charters de Azevedo 
## Maintainer: Tiago Charters de Azevedo 
## URL: https://nexp.pt
## Version: *
## Copyright (c) - 2020 Tiago Charters de Azevedo
## This program is free software; you can redistribute it and/or modify
## it under the terms of the GNU General Public License as published by
## the Free Software Foundation; either version 3, or (at your option)
## any later version.
## This program is distributed in the hope that it will be useful,
## but WITHOUT ANY WARRANTY; without even the implied warranty of
## MERCHANTABILITY or FITNESS FOR A PARTICULAR PURPOSE.  See the
## GNU General Public License for more details.
## You should have received a copy of the GNU General Public License
## along with this program; if not, write to the Free Software
## Foundation, Inc., 51 Franklin Street, Fifth Floor,
## Boston, MA 02110-1301, USA.
## Commentary:
## Python implentation: https://github.com/k-sys/covid-19/blob/master/Realtime%20R0.ipynb
## Paper: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0002185#pone.0002185.s001
## Ref.: https://wwwnc.cdc.gov/eid/article/26/6/20-0357_article
## PT Data: https://raw.githubusercontent.com/dssg-pt/covid19pt-data/master/data.csv")

clear all ## Clear it!

## load packages
pkg load statistics
pkg load signal

## Get the data from dssg-pt
## system("mv data.csv dataOLD.csv")
## system("wget https://raw.githubusercontent.com/dssg-pt/covid19pt-data/master/data.csv")

## Import all data
x=importdata("data.csv");
n=diff(extractdata(x,"confirmados"));

## Testing with NY data
## https://github.com/k-sys/covid-19/blob/master/Realtime%20R0.ipynb
## nydata
## n=ny;
## n(n==0)=[];

date=extractdata(x,"data");
N=length(n);
today=date{length(date)};

############################################################
## gamma (serial value)
## https://wwwnc.cdc.gov/eid/article/26/6/20-0357_article
## https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2001316
############################################################
gamma=1/7;
############################################################

k=6; ## moving average window size (in days) (incubation day=5)
dayinit=k+3; ## check plots 

############################################################
##Rtmavg=mavgrt(n,k,gamma);
##Rtmavg=[4.5 Rtmavg];
############################################################
## Use this for no filtering
##[Rt Rtm RtM]=bayesianrt(diff(n),gamma);

## Use this with k days moving average
[Rt Rtm RtM]=bayesianrt(floor(filter(ones(1,k),k,n)),gamma);

RtPT=Rt;
############################################################
## Make plots
############################################################
figure(1)
clf
hold on

## Ploting HDI region
area([dayinit:N],RtM([dayinit:N]),"FaceColor", [.8,.8,.8]);
area([dayinit:N],Rtm([dayinit:N]),"FaceColor","w")

## Poting Bayesian estimation
plot([dayinit:N],Rt([dayinit:N]),"linewidth",2,"ro")
plot([dayinit:N],Rt([dayinit:N]),"linewidth",4,'r-;R_t: Bayesian estimation;')


## Plot mavg
##plot(Rtmavg,"linewidth",4,strcat("b-;R_t: geometric estimation mavg. (",num2str(k)," days);"))

## Plot some horizontal lines for legibility 
plot([0 100],[1 1],"linewidth",2,'k--')
for i=2:4
  plot([0 100],[i i],"linewidth",1,"k- -")
end

xlabel("t (days)")
title(strcat("COVID19 - R_t (",
             num2str(floor(100*Rt(N))/100),
             "): Running basic reproduction number - Portugal (",
             date{length(date)},
             ")"))
box
axis([dayinit N 0 5])
legend ("location", "SouthWest");
## Write to file
filename= strcat("00-Portugal-Rt-",today,"-COVID19PT.png");
print(filename,"-dpng")

############################################################
############################################################
dayinit=16;
reglist={"confirmados_arsnorte",
         "confirmados_arscentro",
         "confirmados_arslvt",
         "confirmados_arsalentejo",
         "confirmados_arsalgarve",
         "confirmados_acores",
         "confirmados_madeira"};

reglistaux={"Norte",
            "Centro",
            "LxTejo",
            "Alentejo",
            "Algarve",
            "Acores",
            "Madeira"};

for i=1:length(reglist)
  reglistaux{i}

  naux=extractdata(x,reglist{i});
  naux(naux==0)=[];  

  nreg=diff(naux);

  N=length(nreg);
  
#  Rt1=mavgrt(nreg,k,gamma);
#  Rt1=[4.5 Rt1];
  [Rt Rtm RtM]=bayesianrt(floor(filter(ones(1,k),k,nreg)),gamma);

  figure(i+1)
  clf
  hold on

  ##  plot(nreg,"linewidth",4,strcat(colorl{i},'-;',reglistaux{i},";"))

  ## Ploting HDI region
  area(RtM,"FaceColor", [.8,.8,.8]);
  area(Rtm,"FaceColor","w")
  
  ## Ploting Bayesian estimation
  plot([dayinit:N],Rt([dayinit:N]),"linewidth",2,"ro")
  plot(Rt,"linewidth",4,'r-;R_t: Bayesian estimation;')

  plot([0 100],[1 1],"linewidth",2,'k--')
  
  ## Plot mavg
  ## plot(Rt1,"linewidth",4,strcat("b-;R_t: geometric estimation mavg. (",num2str(k)," days);"))

  ## Plot some horizontal lines for legibility 
  plot([0 100],[1 1],"linewidth",2,'k--')
  for j=2:4
    plot([0 100],[j j],"linewidth",1,"k- -")
  end

  xlabel("t (days)\n tca (cc-by-sa)")
  title(strcat(strcat("COVID19 - R_t(",
                      num2str(floor(100*Rt(N-1))/100),
                      "): Running basic reproduction number - Portugal/",
                      reglistaux{i},
                      " (",
                      date{length(date)},
                      ")")))
  box
  axis([dayinit N 0 5])
  legend ("location", "SouthWest");

  ## Write to file
  filename= strcat("0",num2str(i),"-Portugal-Rt-",reglistaux{i},"-",today,"-COVID19PT.png");
  print(filename,"-dpng")

end

system("montage *-Portugal* -geometry +1+1 -shadow Rt-montage-COVID19.png")
function retval=extractdata(x,field)
  m=5; ## data offset
  N=length(x);
  
  for i=1:N
    if (strcmp(strsplit(x{1},","){i},field))
      k=i;
      break
    end
  end

  if (k==1)
    retval={};
    for i=1:N-1-m
      retval{i}=strsplit(x{i+1+m},","){k};
    end
  else
    retval=[];
    j=1;
    for i=1:N-1-m
      aux=str2num(strsplit(x{i+1+m},","){k});
      if (isnumeric(aux))
        retval(j)=aux;
        j=j+1;
      end
    end
  end
end
function [Rt Rtm RtM]=bayesianrt(n,gamma)
## https://github.com/k-sys/covid-19/blob/c26b5a1a432458f9039d3dca185f7ea1ed3d5c2d/Realtime%20R0.ipynb
  N=length(n);
   
############################################################
############################################################
  ## Do the Bayesian!
  ## Corona will tear us apart again.
############################################################
############################################################
  ## initialization

  RtMax=6; #max admissible value for Rt
  NRx=RtMax*100+1;
  Rx=linspace(0,RtMax,NRx); 
  P1=ones(1,NRx);
  
  Rt(1)=4;  ##Rt init value

  Pmatrix=[];
  Rtm(1)=0;
  RtM(2)=RtMax;

############################################################  
  for i=2:N
    Pmatrix=[Pmatrix; P1];
    P2=poisspdf(n(i),n(i-1)*exp(gamma*(Rx-1)));
    P1=P2/(trapz(Rx,P2)); ## normalization  
  endfor
  Pmatrix=[Pmatrix; P1];

  ## Check it out! ;)
  ## Plot Pmatrix distributions 
  ## figure(10)
  ## clf;
  ## plot(Rx,[1:N]'+Pmatrix(1:N,:),"linewidth",2,'k-')
  ## axis([0 5])

  P3=ones(1,NRx);
  logPmatrix=log(Pmatrix);

  k=6; ## Moving average for Bayesian estimation (6 days: incubation period)
  
  for i=1:N  
    P3=exp(mavgmatrix(k*logPmatrix,k))(i,:);
    P3=P3/(eps+trapz(Rx,P3));
    [jj ii]=max(P3);
    iRt(i)=ii;
    Rt(i)=Rx(ii);

    ## ############################################################
    ##   ## Highest density interval (HDI) calcs. 95%.
    ##   ## Not the fasted algorithm, but ok...
    ## ############################################################

    [jx ix]=min(abs(floor(10000*cumtrapz(Rx,P3))-5*100));
    Rtm(i)=Rx(ix);

    [jx ix]=min(abs(floor(10000000000*cumtrapz(Rx,P3))-95*100000000));
    RtM(i)=Rx(ix);
    ## ############################################################
    
  endfor
  
endfunction
function retval=mavgmatrix(n,k, alpha = 0)
  N=min(size(n)); #epidemic days

  if ischar (alpha)
    k=exp(1:k);
  else
    k=(1:k).^alpha;
  endif

  k=k/sum(k);

  retval=zeros(size(n));

  for i=1:max(size(n))
    for j=1:N
      if j<length(k)
        r=length(k)-j + 1:length(k);
        retval(j,i)=    dot(n(1:j,i),(k(r)./sum (k(r))));
      else
        retval(j,i)=dot(n(j-length(k)+1:j,i),k);
      endif
    endfor
  endfor
  
endfunction
function retval=mavgrt(n,k,gamma)
  N=length(n);  
  ration=shift(n,-1)./n;
  [m1,z] = filter(ones(1,k),k,[1:N].*log(ration));
  [m2,z] = filter(ones(1,k),k,[1:N].^2);
  retval=(gamma+m1([1:N-1])./m2([1:N-1]).*[1:N-1])/gamma;
end


Normalmente
2020/09/10-10:36:43

... faz-se uma análise em dicotomia, entre desemprego e resultados em bolsa. Em Portugal, pelo menos, os dados não mostram grandes esperanças. O trabalho, para alguns mudou pelo trabalho-em-casa, para outros ficou apenas mais perigoso.

Embora os mais optimistas possam ver algumas mudanças nos modelos económicos tradicionais o que é que isto nos diz sobre as mudanças e que efeitos introduziu o COVID19 nas nossas vidas, na vida das populações e das comunidades?

O que é que as pessoas, as comunidades e as empresas precisam para se recuperarem desta crise dado que a natureza do trabalho se modificou?

Podemos reconstruir um sistema global, sim global porque a pandemia é global, que suporte economias locais.

Que oportunidades se abriram com esta crise de modo que possamos reconstruir o nosso modo de vida de baixo para cima?

Makers têm um papel em reformar a economia através de produção local, formação de trabalhadores e pequenos negócios: juntos podemos plantar as sementes de uma economia participativa que beneficie explicitamente mais pessoas.


É uma questão de aula
2020/09/03-16:22:16

Quem atribui ao estado ou à escola o privilégio da autoridade inquestionável raramente gosta que essa autoridade que defende seja exercida sobre si em matérias que discorda em particular.

Como assume normalmente que a escola é assim que deve funcionar, que essa matéria apareça sob uma forma de um não contraditório, não gosta que seja forçado, segunda a sua ótica, a aprender o que não gosta. É natural. O contraditório requer esforço.

Na realidade a objeção de consciência sobre a formação em cidadania esconde o apoio da autoridade inquestionável da escola, a autoridade inquestionável do conhecimento do professor e a manutenção da escola como um espaço limitador da diferença, do contraditório e da liberdade. Ao aluno cabe ouvir sem questionar o professor, que tudo sabe, que tudo explica, que tudo transmite do alto da sua irrevogável qualidade e que é vazia.

É pela manutenção da autoridade desnecessária da escola, em concordância com aquilo que acreditam, que a critica é feita. Para esses não se questiona a autoridade, questiona-se o direito à questão porque interessa manter a força da autoridade.

Acharão certamente que jovens em pleno século 21 não questionam os professores na escola.

Olha, em casa, se calhar, não.


2020/07/09-23:42:03


Incomodar é preciso
2020/07/06-11:23:27

Outro dia falava-se da responsabilidade dos intelectuais, que se deveriam de abster, de estar nas redes e de perder tempo com isto.

Mas a responsabilidade dos intelectuais vai muito para além daquela reconhecida e atribuída a resto da população.

Estão numa posição que lhes permite expor as contradições dos governos, analizar os acontecimentos de acordo com as suas causas, motivos e muitas vezes intenções escondidas.

A esta minoria privilegiada dá a democracia, facilidades na vida, tempo livre e a prática por formação de procurar a verdade q está por detrás do véu de distorção e falsa representação, da ideologia e dos interesses de classe que os acontecimentos de todos os dias nos apresentam.

Por isso a responsabilidade dos intelectuais vai muito para além daquela que associamos à "responsabilidade das pessoas", dado os privilégios únicos que os intelectuais usufruem nas democracias modernas.

Adaptação de uns quantos parágrafos do "The responsibility of intellectuals", Chomsky (1966).


Criado/Created: 2018

Última actualização/Last updated: 12-02-2021 [09:28]


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(c) Tiago Charters de Azevedo