É uma questão de aula

Quem atribui ao estado ou à escola o privilégio da autoridade inquestionável raramente gosta que essa autoridade que defende seja exercida sobre si em matérias que discorda em particular.

Como assume normalmente que a escola é assim que deve funcionar, que essa matéria apareça sob uma forma de um não contraditório, não gosta que seja forçado, segunda a sua ótica, a aprender o que não gosta. É natural. O contraditório requer esforço.

Na realidade a objeção de consciência sobre a formação em cidadania esconde o apoio da autoridade inquestionável da escola, a autoridade inquestionável do conhecimento do professor e a manutenção da escola como um espaço limitador da diferença, do contraditório e da liberdade. Ao aluno cabe ouvir sem questionar o professor, que tudo sabe, que tudo explica, que tudo transmite do alto da sua irrevogável qualidade e que é vazia.

É pela manutenção da autoridade desnecessária da escola, em concordância com aquilo que acreditam, que a critica é feita. Para esses não se questiona a autoridade, questiona-se o direito à questão porque interessa manter a força da autoridade.

Acharão certamente que jovens em pleno século 21 não questionam os professores na escola.

Olha, em casa, se calhar, não.

Criado/Created: 03-09-2020 [16:15]

Última actualização/Last updated: 03-09-2020 [16:22]


Voltar à página inicial.


GNU/Emacs Creative Commons License

(c) Tiago Charters de Azevedo